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ZIKA AO QUADRADO (Z2)

ZIKA AO QUADRADO (Z2)

Após sermos alvejados em 2015 por corrupção, lavagem de dinheiro, atentados terroristas, crescente geométrica do dólar e do desemprego, caos na saúde com repercussão vexatória nacional e internacional fomos “premiados” por um novo problema – Zika vírus. Interessante, tendo em vista todo cenário político-econômico-social quando ocorreu o boom nos casos de microcefalia, podemos dizer que vivemos o momento “Zika ao quadrado”.  

O que podemos esperar num país onde um secretário de saúde recomenda não viajar para o ícone turístico do país por falta de capacidade de atendimento médico caso o mesmo seja necessário? O que nos guarda em 2016 para evolução da Zika e quando tantas outras “Zikas” que borbulham os noticiários feito moedas nos cofrinhos de muitos políticos de nosso país?

Segundo o último informe do Ministério da Saúde publicado ontem, o Brasil atingiu o número de 3.530 casos suspeitos de microcefalia relacionados ao Zika vírus, distribuídos por 724 municípios, de 21 unidades federativas – aparentemente poupando temporariamente os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O termo “aparentemente” recai pela alta possibilidade da não realização do diagnóstico da infecção pelo Zika vírus de forma clínica, tendo em vista que, aproximadamente, apenas 15% das infecções apresentam manifestações clínicas e, “para ajudar”, quando as mesmas ocorrem, são frustras e/ou confundem com outras moléstias.

O que será que realmente precisamos saber sobre o Zika?

A infecção pelo Zika é uma arbovirose (doença causada por artrópodes – como os mosquitos), exantemática, emergente causada pela infecção do Flavivírus, Zika Vírus (RNA vírus), transmitida, na maior parte dos casos, pela picada do mosquito Aedes spp.

Fora descoberta em macacos Rhesus, em 1947, na Floresta Zika, em Uganda, levando assim a denominação do local onde fora descoberto. O primeiro caso descrito em humanos deu-se em 1952, com isolamento viral em 1968. Casos esporádicos era a forma mais comum de apresentação até que, em 2007, ocorreu surto na Micronésia, identificando o primeiro caso fora da África. A partir deste momento, distinguiu-se duas linhagens filogenéticas – a Africana e a Asiática (linhagem encontrada no Brasil). O primeiro caso autóctone nas Américas deu-se em 2014, com o primeiro caso descrito no Brasil em maio deste mesmo ano. Acredita-se que o vírus tenha sido introduzo no Brasil em dois possíveis momentos: Copa do Mundo de Futebol (2014) ou durante o Campeonato Mundial de Canoagem (agosta/2014 – Rio de Janeiro). Casos autóctones foram documentados no Rio Grande do Norte em março de 2015, estendendo seu alcance para outras regiões onde já ocorriam, de forma epidêmica, a infecção por Dengue ou Chikungunya) – partilham vetor comum (Aedes). Manifestações clínicas ocorrem em apenas 15 a 20% dos casos infectados (após 4 dias, em média, de incubação) e, não há, até o momento, o percentil de fetos que desenvolvem microcefalia quando as mães são infectadas.

A transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes spp infectado com vírus Zika, podendo ocorrer transmissão ao feto. Transmissão relacionado a hemocomponentes infectados e, ainda, por contato sexual (semêm contaminado).

Como já dito anteriormente, a maioria dos casos são assintomáticos e, aqueles sintomáticos, cerca de 15% dos casos, a sintomatologia dura de 4 a 7 dias. Os sintomas mais frequentes são: Rash maculopapular pruriginoso (geralmente 3 – 5 dias após o quadro febril), febre baixa (37,8 – 38,5º C), artralgia de pequenas articulações (mãos e pés), mialgia, cefaléia, dor retrocular, conjuntivite. Sintomas infrequentes são: Edema de membros, odinofagia, adenomegalia, tosse, vômitos e hematospermia. Diferentemente dos quadros graves de dengue, quadros hemorrágicos não fazem parte do quadro clínico. As manifestações neurológicas são mais frequentes no período perinatal, sendo a microcefalia (perímetro cefálico inferior a 37 cm nos bebês nascidos com 37 semanas ou mais), com calcificações corticais/subcorticais difusas. Nos adultos, as manifestações neurológicas mais comuns são: Síndrome de Guillain-Barré, menigoencefalite e hipoacusia.

Os principais achados diferencias entre Zika, Dengue e Chikungunya estão elencados abaixo:

Achados Clínicos Comparativos da Zika com Seus Principais Diferenciais

SINAIS E SINTOMAS

DENGUE

CHIKUNGUNYA

ZIKA

Febre

++++

+++

+++

Mialgia/Artralgia

+++

++++

++

Edema de extremidades

0

0

++

Exantema maculopapular

++

++

+++

Dor Retrorbital

++

+

++

Hiperemia conjuntival

0

+

+++

Linfadenopatia

++

++

+

Hepatomegalia

0

+++

0

Leucopenia/Trombocitopenia

+++

+++

0

Fenômenos Hemorrágicos

+

0

0

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 O diagnóstico baseia-se na suspeição clínica, sendo confirmado por PCR-RT no soro dos pacientes suspeitos até o quinto dia do início dos sintomas. Nos casos de suspeição de microcefalia relacionada a infecção pelo Zika vírus, pode-se realizar o mesmo exame no líquido amniótico. A utilização de amostrar de urina como meio de identificação permite a extensão capacidade diagnóstica até 15 dias após o início do quadro. ELISA IgM+, em duas amostras, com intervalos de 7 dias e valores 4 vezes maior a última com relação a primeira pode ser utilizado mas com sensibilidade inferior ao PCR-RT.

O tratamento é baseado no controle de sintomas através do uso de analgésicos centrais – dipirona ou paracetamol. Não existem vacinas específicas e a prevenção recai sobre a diminuição do contato com o mosquito: uso de telas nas janelas, camisas de mangas compridas e calças, repelentes nas áreas expostas e sobre as roupas (reaplicação conforme a meia-vida), dedetização e combate a criadouros de mosquitos. Os repelentes disponíveis são: DEET (2horas), Icaridina (10 horas), Óleo de Eucalipto-Limão (2horas) e Óleo de Citronela (2horas).

Com relação ao prognóstico, a maior parte dos casos a evolução é benigna e autolimitada. 90% dos casos de microcefalia relaciona-se a retardo mental e a ocorrência de infecção exantemática não está relaciona obrigatoriamente ao desenvolvimento de microcefalia (não há dados objetivos de incidência).

 

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Referências:

CAMPOS G.S.,et. al. Zika Virus Outbreak, Bahia, Brazil. Emerging Infectious Diseases, Vol. 21, No. 10, October 2015 /dx.doi.org/10.32301/eid2110.150847

Dupont-Rouzeyrol M, et. al. Co-infection with Zika and Dengue Viruses in 2 Patients, New Caledonia, 2014. Emerging Infectious Diseases, Vol. 21, No. 2, February 2015. /dx.doi.org/10.3201/eid2102.141553

GOURINAT AC, et. al. Detection of Zika Virus in Urine. Emerging Infectious Diseases, Vol. 21, No. 1, January 2015. 8593453266

MCGREADY R., et. Al. SAFETY OF THE INSECT REPELLENT N, N-DIETHYL-M-TOLUAMIDE (DEET) IN PREGNANCY. Am. J. Trop. Med. Hyg., 65(4), 2001, pp. 285–289

MUSSO D., et. al. Potential Sexual Transmission of Zika Virus. Emerging Infectious Diseases, Vol. 21, No. 2, February 2015. /dx.doi.org/10.3201/eid2102.141363

MUSSO D. Zika Virus Transmission from French Polynesia to Brazil. Emerging Infectious Diseases, Vol. 21, No. 10, October 2015. /dx.doi.org/10.3201/eid2110.151125

ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE. Alerta Epidemiológico – Vírus Zika. 7 de maio de 2015.

TAPPE D., et. al.  Acute Zika Virus Infection after Travel to Malaysian Borneo, September 2014. Emerging Infectious Diseases, Vol. 21, No. 5, May 2015.  /dx.doi.org/10.3201/eid2105.141960

ZANLUCA C., et. al. First report of autochthonous transmission of Zika virus in Brazil. Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Vol. 110(4): 569-572, June 2015

 

 

 

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